O filme "Sociedade dos poetas mortos", de 1989, conta a história de um professor de poesia que ensina de forma nada ortodoxa numa escola tradicionalista, formada apenas por garotos. O professor incentiva os jovens a pensarem por eles próprios e a formarem suas próprias opiniões, indo na maré contrária dos outros professores. Ele também incentiva os garotos a aproveitarem a vida, sob a lógica do Carpe Diem (aproveite o dia) e diz para fazerem o que quiserem da vida, para serem felizes. Os garotos acabam formando a "Sociedade dos poetas mortos", se encontrando às escondidas numa caverna para recitar poemas e se libertar criativamente.
Uma frase marcante do professor Keating, do filme (brilhantemente interpretado por Robin Williams) é que "Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor, é para isso que vivemos."
Pois bem, o filme se chama "Sociedade dos poetas mortos", pois o grupo lia textos de poetas antigos, como Whitman, Thoreau, Shakespeare e Byron. Mas o próprio filme fala que todos precisamos de poesia para vivermos. Portanto, todos temos a poesia dentro de nós de uma forma ou de outra. Sendo assim, todos somos "protótipos" de poetas, só que alguns possuem essa sensibilidade poética mais aflorada que outros.
Por que não cultivar a poesia dentro de nós? Por que não colocá-la para fora? Os poetas estão sumidos hoje em dia por conta da falta de tempo, de espaço, de crédito, de inspiração... Não temos muitos grandes nomes da poesia. Mas podemos mudar isso com criatividade, com espírito de mudança e com os olhares para a singularidade. Podemos ser os "poetas mortos" idolatrados no futuro por outros admiradores da arte das palavras. Mais importante: podemos ser reconhecidos agora, não só pelos outros, mas por nós mesmos, como magos da poesia. É só pensar, viver e aproveitar cada momento com olhares atentos de um flaneur. No fundo, somos todos poetas com as palavras engasgadas nas nossas gargantas, suprimidas, querendo sair. Somos os poetas vivos.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
domingo, 25 de março de 2012
New York Girl
Ela vai para Nova Iorque
Todos sentem saudades
Mas apoiam a jornada
Em busca da felicidade
Trazendo na mala muitas lembranças
Dos amigos acolhedores
E uma porção extra de esperança
Para virem dias melhores
Do avião, um céu azulado
Lindo como a emoção de voar
O dia não está nublado
Terras novas para desbravar
Lá, uma cultura diferente
Uma terra cheia de histórias
Um povo distinto e inteligente
Um novo lugar na memória
Após a estadia, hora de voltar
A saudade já pate forte no peito
Novas histórias para contar
Um abraço forte no Centro
A garota que trouxe Floripa para Nova Iorque
Agora traz Nova Iorque para Floripa
Tanta cultura tradicional novamente
Uma camisa: "i love tainha"
Tanta beleza e cultura ela trouxe
Que ela tem para dar e vender
Ela é especial, não importa aonde
Ela sempre encanta, sempre, sempre!
Um dia inesquecível no seu retorno
Conversas integras de uma poética voz doce
Cheias de carinho em seu entorno
Adoráveis, em busca de new journeys
Just with me
Just with us
Todos sentem saudades
Mas apoiam a jornada
Em busca da felicidade
Trazendo na mala muitas lembranças
Dos amigos acolhedores
E uma porção extra de esperança
Para virem dias melhores
Do avião, um céu azulado
Lindo como a emoção de voar
O dia não está nublado
Terras novas para desbravar
Lá, uma cultura diferente
Uma terra cheia de histórias
Um povo distinto e inteligente
Um novo lugar na memória
Após a estadia, hora de voltar
A saudade já pate forte no peito
Novas histórias para contar
Um abraço forte no Centro
A garota que trouxe Floripa para Nova Iorque
Agora traz Nova Iorque para Floripa
Tanta cultura tradicional novamente
Uma camisa: "i love tainha"
Tanta beleza e cultura ela trouxe
Que ela tem para dar e vender
Ela é especial, não importa aonde
Ela sempre encanta, sempre, sempre!
Um dia inesquecível no seu retorno
Conversas integras de uma poética voz doce
Cheias de carinho em seu entorno
Adoráveis, em busca de new journeys
Just with me
Just with us
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A carta de Julieta
Era uma tarde fria e nublada. Julieta tinha 20 anos e morava sozinha num lugar isolado. Ela era uma menina muito delicada, sensível e de grandes sonhos. Sonhava em ser escritora, era muito hábil com as palavras e sabia colocá-las de forma ordenada e bem alinhadas. Porém, essa habilidade só era demonstrada por meio da escrita. Ela possuía grande dificuldade em falar e se relacionar com outras pessoas e era dona de uma timidez extrema, se sentia mal até em sair de casa, portanto não frequentava festas nem possuía muitas amizades e vínculos, diferentemente da maioria das pessoas da idade dela. Ela tinha segredos que escondia de toda a família, principalmente a sua opção sexual. Sentia atração por garotas desde a adolescência, achava elas doces e amorosas, delicadas e finas, diferentemente dos homens. Mas por causa de sua inibição, nunca teve um único relacionamento. Nem havia beijado ainda.
Durante a faxina de seu lar (ou confinamento), ela encontrou um velho papel, já amarelado por conta do tempo, amassado e escondido no armário, entre uma blusa vermelha e um camiseta da banda "The Smiths". Ela desamassou e teve uma surpresa nostálgica. Era uma carta de amor escrita por ela.
Essa carta estava endereçada para uma garota que havia conhecido no cinema há um ano, chamada Mariana. Julieta não saía muito, mas quando saía gostava de procurar cultura. Ela foi num cinema chamado "Alter Ego" que só passava filmes mais alternativos. Naquele dia havia ido assistir o filme francês "Amores Imaginários". No fim do filme, ela foi fumar um cigarro quando foi abordada por Mariana. Ela pediu um cigarro e elogiou a roupa de Julieta, que estava com um vestido verde claro, cheio de detalhes em vermelho. Julieta foi perdendo a timidez ao conversar sobre as bandas que gostavas, os filmes que estavam em cartaz no "Alter Ego" e os livros que haviam lido naquele ano. Julieta começou a se sentir atraída com o encanto de Mariana, que era uma garota muito bonita, de cabelos negros, curtos e bem ondulados, usava um batom vermelho e tinha uma pele bem clara e delicada que contrastava com um vestido preto. Por um momento, Julieta se sentiu intimidada pela beleza e pelo jeito extrovertido e cativante de Mariana, pois ela se sentia feia e sem graça. Mas acabou se soltando e quebrando as barreiras da timidez, já que Mariana parecia interessada e envolvida pela conversa também. As duas trocaram endereços e telefones (Julieta não possuía computador e, com a modernidade, isso dificultava a interação social.). Além de tudo elas haviam combinado de ir na semana que vem no "Alter Ego" prestigiar mais um filme.
Julieta, nos dias seguintes desse primeiro encontro, começou a se questionar e a ser assombrada por pensamentos como "e se ela não sentir o que sinto?", "e se ela tem namorado(a)?", "o que estou fazendo é correto?". Julieta não foi no cinema como havia combinado por medo e receio. No dia seguinte pensou em se desculpar, mas não tinha coragem nem a habilidade para ligar. Resolveu fazer o que sabia melhor: escrever. Escreveu a carta pedindo perdão e contando dos seus sentimentos, porém, novamente com meio e receio, ela nunca enviou. Eventualmente, quando ela saía de casa, passava na frente da casa de Mariana, porém ela nunca aparecia e a moradia estava sempre com janelas fechadas, dando a entender que não havia ninguém por ali. Ela nunca mais viu Mariana.
Julieta pegou a carta amassada e começou a reler o que havia escrito no ano passado para a Mariana.
"Querida Mariana,
sinto muito por não ter comparecido ao cinema como haviamos combinado. Eu estava amedrontada e abalada por pensamentos negativos e avassaladores. Não consigo esquecer nem por um minuto o dia em que nos encontramos. Tive a melhor conversa da minha vida e, em um único dia, acabei me encantando com a sua presença. Você fez do meu dia o melhor que já tive. Você é o tipo de pessoa que deixa rastros de encantamento e de beleza, se tornando inesquecível com seu jeito exótico e irresistível. Sempre tive atração por garotas, mas nunca me senti tão bem em estar perto de você, mesmo que isso seja contraditório por termos ficado juntas por apenas um dia e por eu ter tido medo de encontrá-la novamente.
Sei que não posso obrigá-la a sentir o mesmo por mim, e não quero que se sintas acuada com o meu atrevimento em te dizer tudo isso, mas não controlo os meus sentimentos. Você está eternizada em meu coração e sempre vou querer o seu bem, independente de estarmos separadas nesse momento.
Com amor, Julieta."
Era uma carta simples, mas Julieta caiu no choro ao lê-la novamente. Se lembrou do único dia em que havia se apaixonado por alguém. Ela pensou em enviar, mas não sabia por onde Mariana estava, o que a deixou muito triste e abalada. Amassou a carta e jogou o lixo.
Um mês depois de ter relido a carta, Julieta abriu a correspondência, esperando receber as contas para pagar. Porém, ela havia recebido uma carta diferente, era azul-celeste com detalhes em branco, diferente de qualquer correspondência que havia recebido. Curiosa, Julieta abre e se surpreende, era Mariana.
"Querida Julieta,
desculpe-me por ter dado o endereço errado da minha casa e por não ter ido no cinema como haviamos combinado. Eu posso parecer muito segura, mas na verdade é exatamente o contrário. Eu tinha me encantado com o seu jeito meigo e tímido. Realmente tive o melhor dia da minha vida ao ter te encontrado e conversado contigo. Eu queria estar com você, mas sabia que era uma amor imaginário, assim como no título do filme que assistimos. Bem, hoje estou morando na Inglaterra, sei que nunca mais nos veremos (a menos que você queira vir pra cá), mas achei justo esclarecer as coisas e transmitir os meus sentimentos, pois você merece explicações. Espero que me perdoe por sentir medo e por ter me apaixonado por você. Queria muito te ver novamente e retomar as conversas maravilhosas que tivemos naquele fatídico dia.
Com carinho, Mariana."
Julieta não sabia o que pensar, pensou em escrever mais uma carta, mas como enviaria para a Inglaterra? Mesmo se quisesse, não tem o endereço novo de Mariana na carta. Tudo o que conseguiu foi escrever um pequeno poema pra si própria.
"Perdição
Me perdi no meio do oceano
Das lágrimas dos meus olhos distantes
Mas parece-me que você é quem se perdeu
Nas sua próprias indecisões e temores
Nunca mais nos veremos
Nunca mais, disse o corvo
Mas nunca mais esqueceremos
Daquele dia de novo
Sempre te vejo em meus sonhos
Como amores imaginários
Nunca na sua presença real
Mas sempre nos tormentos diários
Não tenho ninguém aqui
Mas tenho a quem admirar
Você não vive mais por aqui
Mas sempre irei te procurar
Nos olhos das outras pessoas
Perdidas, incompreendidas."
Durante a faxina de seu lar (ou confinamento), ela encontrou um velho papel, já amarelado por conta do tempo, amassado e escondido no armário, entre uma blusa vermelha e um camiseta da banda "The Smiths". Ela desamassou e teve uma surpresa nostálgica. Era uma carta de amor escrita por ela.
Essa carta estava endereçada para uma garota que havia conhecido no cinema há um ano, chamada Mariana. Julieta não saía muito, mas quando saía gostava de procurar cultura. Ela foi num cinema chamado "Alter Ego" que só passava filmes mais alternativos. Naquele dia havia ido assistir o filme francês "Amores Imaginários". No fim do filme, ela foi fumar um cigarro quando foi abordada por Mariana. Ela pediu um cigarro e elogiou a roupa de Julieta, que estava com um vestido verde claro, cheio de detalhes em vermelho. Julieta foi perdendo a timidez ao conversar sobre as bandas que gostavas, os filmes que estavam em cartaz no "Alter Ego" e os livros que haviam lido naquele ano. Julieta começou a se sentir atraída com o encanto de Mariana, que era uma garota muito bonita, de cabelos negros, curtos e bem ondulados, usava um batom vermelho e tinha uma pele bem clara e delicada que contrastava com um vestido preto. Por um momento, Julieta se sentiu intimidada pela beleza e pelo jeito extrovertido e cativante de Mariana, pois ela se sentia feia e sem graça. Mas acabou se soltando e quebrando as barreiras da timidez, já que Mariana parecia interessada e envolvida pela conversa também. As duas trocaram endereços e telefones (Julieta não possuía computador e, com a modernidade, isso dificultava a interação social.). Além de tudo elas haviam combinado de ir na semana que vem no "Alter Ego" prestigiar mais um filme.
Julieta, nos dias seguintes desse primeiro encontro, começou a se questionar e a ser assombrada por pensamentos como "e se ela não sentir o que sinto?", "e se ela tem namorado(a)?", "o que estou fazendo é correto?". Julieta não foi no cinema como havia combinado por medo e receio. No dia seguinte pensou em se desculpar, mas não tinha coragem nem a habilidade para ligar. Resolveu fazer o que sabia melhor: escrever. Escreveu a carta pedindo perdão e contando dos seus sentimentos, porém, novamente com meio e receio, ela nunca enviou. Eventualmente, quando ela saía de casa, passava na frente da casa de Mariana, porém ela nunca aparecia e a moradia estava sempre com janelas fechadas, dando a entender que não havia ninguém por ali. Ela nunca mais viu Mariana.
Julieta pegou a carta amassada e começou a reler o que havia escrito no ano passado para a Mariana.
"Querida Mariana,
sinto muito por não ter comparecido ao cinema como haviamos combinado. Eu estava amedrontada e abalada por pensamentos negativos e avassaladores. Não consigo esquecer nem por um minuto o dia em que nos encontramos. Tive a melhor conversa da minha vida e, em um único dia, acabei me encantando com a sua presença. Você fez do meu dia o melhor que já tive. Você é o tipo de pessoa que deixa rastros de encantamento e de beleza, se tornando inesquecível com seu jeito exótico e irresistível. Sempre tive atração por garotas, mas nunca me senti tão bem em estar perto de você, mesmo que isso seja contraditório por termos ficado juntas por apenas um dia e por eu ter tido medo de encontrá-la novamente.
Sei que não posso obrigá-la a sentir o mesmo por mim, e não quero que se sintas acuada com o meu atrevimento em te dizer tudo isso, mas não controlo os meus sentimentos. Você está eternizada em meu coração e sempre vou querer o seu bem, independente de estarmos separadas nesse momento.
Com amor, Julieta."
Era uma carta simples, mas Julieta caiu no choro ao lê-la novamente. Se lembrou do único dia em que havia se apaixonado por alguém. Ela pensou em enviar, mas não sabia por onde Mariana estava, o que a deixou muito triste e abalada. Amassou a carta e jogou o lixo.
Um mês depois de ter relido a carta, Julieta abriu a correspondência, esperando receber as contas para pagar. Porém, ela havia recebido uma carta diferente, era azul-celeste com detalhes em branco, diferente de qualquer correspondência que havia recebido. Curiosa, Julieta abre e se surpreende, era Mariana.
"Querida Julieta,
desculpe-me por ter dado o endereço errado da minha casa e por não ter ido no cinema como haviamos combinado. Eu posso parecer muito segura, mas na verdade é exatamente o contrário. Eu tinha me encantado com o seu jeito meigo e tímido. Realmente tive o melhor dia da minha vida ao ter te encontrado e conversado contigo. Eu queria estar com você, mas sabia que era uma amor imaginário, assim como no título do filme que assistimos. Bem, hoje estou morando na Inglaterra, sei que nunca mais nos veremos (a menos que você queira vir pra cá), mas achei justo esclarecer as coisas e transmitir os meus sentimentos, pois você merece explicações. Espero que me perdoe por sentir medo e por ter me apaixonado por você. Queria muito te ver novamente e retomar as conversas maravilhosas que tivemos naquele fatídico dia.
Com carinho, Mariana."
Julieta não sabia o que pensar, pensou em escrever mais uma carta, mas como enviaria para a Inglaterra? Mesmo se quisesse, não tem o endereço novo de Mariana na carta. Tudo o que conseguiu foi escrever um pequeno poema pra si própria.
"Perdição
Me perdi no meio do oceano
Das lágrimas dos meus olhos distantes
Mas parece-me que você é quem se perdeu
Nas sua próprias indecisões e temores
Nunca mais nos veremos
Nunca mais, disse o corvo
Mas nunca mais esqueceremos
Daquele dia de novo
Sempre te vejo em meus sonhos
Como amores imaginários
Nunca na sua presença real
Mas sempre nos tormentos diários
Não tenho ninguém aqui
Mas tenho a quem admirar
Você não vive mais por aqui
Mas sempre irei te procurar
Nos olhos das outras pessoas
Perdidas, incompreendidas."
sábado, 12 de novembro de 2011
Vitória
Esse deve ser o texto mais pessoal e corajoso que já escrevi. Um desabafo com uma história.
Talvez eu não esteja muito feliz, sofro preconceito e rejeições por isso. Mas eu sou um vitorioso. Tive (e tenho) uma vida muito difícil. Eu perdi minha mãe quando tinha apenas 6 anos, por uma doença que eu passei para ela. Fiquei traumatizado e me encolhi na minha própria solidão. Tive poucos amigos, nunca tive nenhum amor e sofri (sofro) muito por amores impossíveis e rejeições. Vivi isolado em casa. Comecei a me viciar em nicotina e a beber muito nas minhas poucas saídas. Perdi minha vó materna. Minha vó paterna está muito velhinha e debilitada, ou seja, é questão de tempo para eu perdê-la também. Meu pai ficou um tempo enorme sem conseguir sair de casa por um bloqueio psicológico. Me autoflagelei diversas vezes e tentei o suicídio três vezes. Enfim, a minha vida teve muito obstáculos e eu construí meu mundo em torno da minha depressão e do meu isolamento social. Não estou querendo bancar o coitadinho, isso nem faz parte do meu perfil. Estou querendo dizer que sou muito, mas muito forte! Ninguém nunca prestou muita atenção em mim por conta de seus próprios problemas, mas agora estou me forçando a buscar um caminho novo. Procurei ajuda, fui muito corajoso. Faço terapia, tomo medicamentos, procuro conforto em minha família e amigos (os verdadeiros). Enfim, eu faço isso por acreditar em mim, mesmo que ninguém mais acredite, pois eu sei que irei vencer. Hoje não consigo fazer muita coisa que eu poderia fazer há algum tempo atrás, mas mesmo assim eu ainda persisto. Antes eu me achava fraco, mas hoje eu sei que sou muito forte, bom, verdadeiro e que mereço o melhor! Eu ainda serei um vencedor, podem apostar nisso... Ninguém pode me dizer o contrário. Não é uma doença que vai me derrubar fácil. Nada nem ninguém pode me derrotar, pois sobrevivi a tanta coisa... Minha vida pode estar complicada, mas isso vai passar. Eu vou encontrar algo ou alguém que me mereça e me faça uma pessoa melhor. Eu vou vencer na vida! Eu sei que eu vou conseguir, de verdade.
Talvez eu não esteja muito feliz, sofro preconceito e rejeições por isso. Mas eu sou um vitorioso. Tive (e tenho) uma vida muito difícil. Eu perdi minha mãe quando tinha apenas 6 anos, por uma doença que eu passei para ela. Fiquei traumatizado e me encolhi na minha própria solidão. Tive poucos amigos, nunca tive nenhum amor e sofri (sofro) muito por amores impossíveis e rejeições. Vivi isolado em casa. Comecei a me viciar em nicotina e a beber muito nas minhas poucas saídas. Perdi minha vó materna. Minha vó paterna está muito velhinha e debilitada, ou seja, é questão de tempo para eu perdê-la também. Meu pai ficou um tempo enorme sem conseguir sair de casa por um bloqueio psicológico. Me autoflagelei diversas vezes e tentei o suicídio três vezes. Enfim, a minha vida teve muito obstáculos e eu construí meu mundo em torno da minha depressão e do meu isolamento social. Não estou querendo bancar o coitadinho, isso nem faz parte do meu perfil. Estou querendo dizer que sou muito, mas muito forte! Ninguém nunca prestou muita atenção em mim por conta de seus próprios problemas, mas agora estou me forçando a buscar um caminho novo. Procurei ajuda, fui muito corajoso. Faço terapia, tomo medicamentos, procuro conforto em minha família e amigos (os verdadeiros). Enfim, eu faço isso por acreditar em mim, mesmo que ninguém mais acredite, pois eu sei que irei vencer. Hoje não consigo fazer muita coisa que eu poderia fazer há algum tempo atrás, mas mesmo assim eu ainda persisto. Antes eu me achava fraco, mas hoje eu sei que sou muito forte, bom, verdadeiro e que mereço o melhor! Eu ainda serei um vencedor, podem apostar nisso... Ninguém pode me dizer o contrário. Não é uma doença que vai me derrubar fácil. Nada nem ninguém pode me derrotar, pois sobrevivi a tanta coisa... Minha vida pode estar complicada, mas isso vai passar. Eu vou encontrar algo ou alguém que me mereça e me faça uma pessoa melhor. Eu vou vencer na vida! Eu sei que eu vou conseguir, de verdade.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
O devaneio de uma noite de verão
Noite escura, melancólica e estrelada
Uma ida pro bar na companhia da solidão
Era quarta-feira, clima abafado
Noite perfeita para se perder na escuridão
Sempre os mesmos pecados pairam no ar
Sempre o mesmo veneno atinge o coração
Era quase fim de ano, porém nada mudou
Tudo era igual, as mesmas avenidas e a mesma direção
Tantas pessoas e tão poucas histórias conhecidas
Mas havia um rosto conhecido perdido no meio da multidão
Que trouxe a beleza no meio de tanta amargura
Mas trouxe a velha amiga, a preocupação
Não há de mais em ser visto por olhos castanhos
No meio de tanta gente, tanta badalação
Quando se está invisível por tanto tempo
Ser olhado causa arrepios e agitação
Ainda mais por aquele olhar distinto e reflexivo
No rosto mais bonito, causando a maior distração
Era questão de segundos até que ele desapareceu
E minha mente se programou para uma nova aparição
Porém, aquilo não era nada comparado com o que já existe
Era algo entre a realidade e a ficção
Era mais que um sonho, era uma verdade inventada
Por um velho soldado desarmado e cheio de imaginação
Uma ida pro bar na companhia da solidão
Era quarta-feira, clima abafado
Noite perfeita para se perder na escuridão
Sempre os mesmos pecados pairam no ar
Sempre o mesmo veneno atinge o coração
Era quase fim de ano, porém nada mudou
Tudo era igual, as mesmas avenidas e a mesma direção
Tantas pessoas e tão poucas histórias conhecidas
Mas havia um rosto conhecido perdido no meio da multidão
Que trouxe a beleza no meio de tanta amargura
Mas trouxe a velha amiga, a preocupação
Não há de mais em ser visto por olhos castanhos
No meio de tanta gente, tanta badalação
Quando se está invisível por tanto tempo
Ser olhado causa arrepios e agitação
Ainda mais por aquele olhar distinto e reflexivo
No rosto mais bonito, causando a maior distração
Era questão de segundos até que ele desapareceu
E minha mente se programou para uma nova aparição
Porém, aquilo não era nada comparado com o que já existe
Era algo entre a realidade e a ficção
Era mais que um sonho, era uma verdade inventada
Por um velho soldado desarmado e cheio de imaginação
sábado, 17 de setembro de 2011
Noite compartilhada com as vozes interiores
Uma noite escura e fria, iluminada sob a luz do abajur velho e empoeirado. Uma caneta e um papel arrancado de um caderno são as únicas distrações, além da lua cheia que está maravilhosa.
As idéias correm como trens-bala desenfreados, que não tem destino certo para parar e nem passageiros para mudar a trajetória desconhecida. O único barulho possível de ser escutado é o dos ponteiros do relógio de parede, que está quebrado, como se estivesse atemporal.
A vontade de desistir era grande. Não que estivesse tão mal, mas a procrastinação era imensa naquela noite solitária. Como um diabinho do lado do ombro "aconselhando" a deixar tudo para trás, para mais tarde. A solidão nem é tão ruim, é a companhia mais presente durante a vida. Especialmente nos dias mais frios e tristes, quando nenhuma amizade está presente, a solidão está para acobertar todos os sofrimentos e pesares. Além de tudo, a solidão é uma amiga influente e criativa, dando idéias malucas a toda hora.
Como se acompanhasse a velocidade das idéias, o papel começa a tomar forma com os desenhos e escritos. Nem é necessário olhar para a folha, a ponta da caneta faz esse serviço enquanto ela dança a sua valsa, orgulhosa e sem um pingo de timidez.
Seria perfeito se estivesse nevando lá fora e se tivesse uma lareira daquelas, de tijolos vermelhos, como nos filmes americanos. Mas aqui o clima é limitado... Pelo menos, a imaginação permite que flocos de neve caiam na ponta da língua e derretessem quase que instantaneamente. Mesmo isolado numa casa escura e velha, quase que mal-assombrada.
Ao perceber uma teia de aranha na quina da estante, seus dedos balbuciam, começam a se movimentar no ritmo do contorno do tecido, com todos os detalhes estruturais tão magníficos e poéticos. Quanta perfeição, senhora Mãe Natureza! Quando acaba, ao olhar para o papel, vê a teia completamente sobreposta ao papel. Por cima de todos os desenhos e escrituras que estavam ali, por conta das idéias anteriores. Enfim, ainda não é tão perfeita quanto a teia de verdade, mas é como uma fotografia para lembrar sempre daquelas formas admiráveis.
O tempo voa, como um pássaro carregando comida para os seus filhotes que esperam ansiosos no ninho. A madrugada chega como um visitante esperado, mas que chega antes da hora. Hora da despedida.
- Boa noite, solidão, imaginação, procrastinação e todos os "ãos" que me acompanharam nessa noite.
- Boa noite!
As idéias correm como trens-bala desenfreados, que não tem destino certo para parar e nem passageiros para mudar a trajetória desconhecida. O único barulho possível de ser escutado é o dos ponteiros do relógio de parede, que está quebrado, como se estivesse atemporal.
A vontade de desistir era grande. Não que estivesse tão mal, mas a procrastinação era imensa naquela noite solitária. Como um diabinho do lado do ombro "aconselhando" a deixar tudo para trás, para mais tarde. A solidão nem é tão ruim, é a companhia mais presente durante a vida. Especialmente nos dias mais frios e tristes, quando nenhuma amizade está presente, a solidão está para acobertar todos os sofrimentos e pesares. Além de tudo, a solidão é uma amiga influente e criativa, dando idéias malucas a toda hora.
Como se acompanhasse a velocidade das idéias, o papel começa a tomar forma com os desenhos e escritos. Nem é necessário olhar para a folha, a ponta da caneta faz esse serviço enquanto ela dança a sua valsa, orgulhosa e sem um pingo de timidez.
Seria perfeito se estivesse nevando lá fora e se tivesse uma lareira daquelas, de tijolos vermelhos, como nos filmes americanos. Mas aqui o clima é limitado... Pelo menos, a imaginação permite que flocos de neve caiam na ponta da língua e derretessem quase que instantaneamente. Mesmo isolado numa casa escura e velha, quase que mal-assombrada.
Ao perceber uma teia de aranha na quina da estante, seus dedos balbuciam, começam a se movimentar no ritmo do contorno do tecido, com todos os detalhes estruturais tão magníficos e poéticos. Quanta perfeição, senhora Mãe Natureza! Quando acaba, ao olhar para o papel, vê a teia completamente sobreposta ao papel. Por cima de todos os desenhos e escrituras que estavam ali, por conta das idéias anteriores. Enfim, ainda não é tão perfeita quanto a teia de verdade, mas é como uma fotografia para lembrar sempre daquelas formas admiráveis.
O tempo voa, como um pássaro carregando comida para os seus filhotes que esperam ansiosos no ninho. A madrugada chega como um visitante esperado, mas que chega antes da hora. Hora da despedida.
- Boa noite, solidão, imaginação, procrastinação e todos os "ãos" que me acompanharam nessa noite.
- Boa noite!
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
A vida e a morte de João Ninguém
Ao levantar da cama numa manhã sonolenta, o rapaz desarrumado vai à passos lentos até a porta mais próxima. Tinha um nome, mas era mais conhecido como João Ninguém. Ao chegar até a porta, ele abre e ouve o rangido habitual que ela faz. Vai para a frente do espelho velho e com rachaduras nos cantos e fica minutos, vagarosos minutos, olhando seu próprio reflexo. Não por vaidade, muito pelo contrário. A auto-estima de João não é das mais altas. Ele se observa, quase que hipnotizado, para o seu rosto, pouco notado nas ruas. Ele faz uma reflexão pura sobre a sua vida ao olhar atento de seu reflexo.
Sua vida passa sob os seus olhos distraídos como se estivesse prestes à morrer, naqueles flashbacks antes do óbito que vemos em filmes e histórias de ficção. Sua vida, até o presente momento, não foi boa, mas também não foi ruim. Era uma vida simples coberta por uma mente complexa.
Lembrou-se da época de infância, jogando bola na vizinhança. Bons tempos... E a vez que caiu da laranjeira ao tentar escalá-la como se fosse o Monte Evereste. Os joelhos ralados são expressões mais puras de uma infância intensa e maravilhosa. A insistência foi tanta, que caiu uma segunda vez. Na época, ficou com raiva e chutou a laranjeira. Hoje, João percebe que cair dela fazia parte de todo um aprendizado.
Depois, lembrou se dos amores platônicos da adolescência... "Ah, como aquela garota da terceira fileira era linda." As notas baixas refletiam a concentração ínfima nas aulas, sua atenção era voltada para suas paixões não-realizadas.
No começo da fase adulta, se sentia sozinho a maior parte do tempo. Poucos amigos, muito estudo e trabalho. Sua vida meio que parou no tempo e, desde então, João Ninguém parou de viver e, hoje, ele se olha no espelho se perguntando como isso foi acontecer. Mas, ao mesmo tempo, se lembrava com prazer dos bons momentos que outrora tivera.
Depois de uma boa lavada de rosto, aproveitou que era domingo e foi para a quarto para ligar a TV e tentar relaxar. Mas uma visita inesperada estava à espera na cama.
- Quem é você? - Pergunta João, surpreso. Era uma moça muito bonita, com unhas longas e pintadas de vermelho, lábios igualmente vermelhos. Cabelos negros e na altura dos ombros. Olhos escuros como dois buracos negros. Ela deu uma risada tímida, ao ser indagada, e respondeu.
- Como você não soubesse...
- E não sei mesmo! - Clamou, de forma ríspida. Estava furioso com a invasão de sua propriedade, mas, simultâneamente, estava ansioso, excitado, como se ele quisesse ser surpreendido.
- Eu estou te esperando. Eu estive do seu lado por um bom tempo. Está preparado?
Sem entender, João gagueja, confuso e envergonhado. Não consegue pronunciar uma palavra, como se todo o seu vocabulário tivesse fugido abruptamente.
- Querido... - Disse a mulher. - Eu sou a Morte.
João ficou branco e disse, com a voz baixa e trêmula.
- M-m-mas já... E-eu t-tenho muito para viver ainda...
- João. Você não percebeu. O tempo passou e você já viveu. Você, aliás, é uma pessoa vitoriosa. Viveu, sob todos os problemas, e superou tudo isso! Você teve uma vida próspera. E não fique com medo ou triste, você vai por causa do ciclo natural da vida. Ao partir, uma nova vida será gerada no mesmo momento.
As luzes se apagaram. João e a Morte partiram para o além, após um jogo de xadrez que foi a vida, a Morte sempre dá o xeque-mate . João Ninguém nunca existiu, mas sua história, paradoxalmente, sim.
Sua vida passa sob os seus olhos distraídos como se estivesse prestes à morrer, naqueles flashbacks antes do óbito que vemos em filmes e histórias de ficção. Sua vida, até o presente momento, não foi boa, mas também não foi ruim. Era uma vida simples coberta por uma mente complexa.
Lembrou-se da época de infância, jogando bola na vizinhança. Bons tempos... E a vez que caiu da laranjeira ao tentar escalá-la como se fosse o Monte Evereste. Os joelhos ralados são expressões mais puras de uma infância intensa e maravilhosa. A insistência foi tanta, que caiu uma segunda vez. Na época, ficou com raiva e chutou a laranjeira. Hoje, João percebe que cair dela fazia parte de todo um aprendizado.
Depois, lembrou se dos amores platônicos da adolescência... "Ah, como aquela garota da terceira fileira era linda." As notas baixas refletiam a concentração ínfima nas aulas, sua atenção era voltada para suas paixões não-realizadas.
No começo da fase adulta, se sentia sozinho a maior parte do tempo. Poucos amigos, muito estudo e trabalho. Sua vida meio que parou no tempo e, desde então, João Ninguém parou de viver e, hoje, ele se olha no espelho se perguntando como isso foi acontecer. Mas, ao mesmo tempo, se lembrava com prazer dos bons momentos que outrora tivera.
Depois de uma boa lavada de rosto, aproveitou que era domingo e foi para a quarto para ligar a TV e tentar relaxar. Mas uma visita inesperada estava à espera na cama.
- Quem é você? - Pergunta João, surpreso. Era uma moça muito bonita, com unhas longas e pintadas de vermelho, lábios igualmente vermelhos. Cabelos negros e na altura dos ombros. Olhos escuros como dois buracos negros. Ela deu uma risada tímida, ao ser indagada, e respondeu.
- Como você não soubesse...
- E não sei mesmo! - Clamou, de forma ríspida. Estava furioso com a invasão de sua propriedade, mas, simultâneamente, estava ansioso, excitado, como se ele quisesse ser surpreendido.
- Eu estou te esperando. Eu estive do seu lado por um bom tempo. Está preparado?
Sem entender, João gagueja, confuso e envergonhado. Não consegue pronunciar uma palavra, como se todo o seu vocabulário tivesse fugido abruptamente.
- Querido... - Disse a mulher. - Eu sou a Morte.
João ficou branco e disse, com a voz baixa e trêmula.
- M-m-mas já... E-eu t-tenho muito para viver ainda...
- João. Você não percebeu. O tempo passou e você já viveu. Você, aliás, é uma pessoa vitoriosa. Viveu, sob todos os problemas, e superou tudo isso! Você teve uma vida próspera. E não fique com medo ou triste, você vai por causa do ciclo natural da vida. Ao partir, uma nova vida será gerada no mesmo momento.
As luzes se apagaram. João e a Morte partiram para o além, após um jogo de xadrez que foi a vida, a Morte sempre dá o xeque-mate . João Ninguém nunca existiu, mas sua história, paradoxalmente, sim.
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