domingo, 14 de novembro de 2010

Teias de aranha

Vejo sujeira por todos os lados em que olho. Não sei se há sujeira nos meus olhos escuros como a noite, ou se o mundo em si é um amontoado de lixo. Inclusive a minha casa (não no sentido literal, logicamente).
Em todo caso, uma coisa eu posso ter certeza, é preciso uma limpeza. Não uma limpeza qualquer, uma limpeza por completo... As teias de aranha se acumularam com o passar dos anos no fundo do armário, estão lá há muito tempo.
Às vezes sinto uma dó por tirar as teias, pois assim estaria destruindo as aranhas que lá habitam, estaria destruindo um lar feito tão arduamente para dar prioridade a outro: o meu. Me pergunto por horas a fio (com o perdão do trocadilho) se isso é justo...
Nos atingimos um limite, mudanças precisam ser feitas com urgência, senão, iremos esperar e esperar e esperar até que a teia cresce demais e você percebe que não fez nada a respeito. Isso se chama procrastinação.
Daí vem outro problema (é incrível como os problemas sempre surgem aos montes, de forma desenfreada): o medo. Medo de ser picado e envenenado por uma daquelas aranhas pequenas e perigosas. O medo paralisa, como que se eu estendesse a mão para começar a limpeza e ela não consegue mais ir para frente.
É preciso pensar nos benefícios futuros que esse trabalho fará e esquecer um pouco dos temores, afinal, se algo acontecer, aconteceu. Todos vamos morrer mesmo no final, então é mais digno morrer tentando fazer algo benéfico para sí (é importante salientar que demorei para concluir que dar valor a sí não quer dizer egoísmo).
Então, está decidido, vou destruir as belas, porém incômodas, teias de aranha acumuladas na minha vida. Pode parecer um pequeno progresso, pois não é visível para as outras pessoas (ah, elas que julgam tudo e todos, nunca está bom o suficiente para os eternos críticos chamados humanos), mas é um grande avanço, para atingir um objetivo final: a casa limpa, sem sujeira alguma para tirar o sossego. Pode parecer utópico, mas é necessário pensar assim para melhorar definitivamente.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os três estranhos no bar dos desconhecidos

Haviam três pessoas numa mesa de um velho bar com pouca clientela. O primeiro era um rapaz sério, inteligente, mas muito calado e ansioso. Ele fumava seus Marlboros vermelhos quase que instintivamente para tentar esconder, mesmo que sem eficácia, seu nervosismo. Aparentava ser uma pessoa desleixada por causa de sua barba por fazer e suas roupas velhas e desbotadas, mas era uma pessoa muito preocupada com sua aparência. Até pelo fato de não se sentir bem consigo mesmo, não gostaria de estar ali naquele momento. Tinha muitas cicatrizes no rosto, cada uma escondia uma história, mas ele tentava escondê-las à todo custo.

A segunda pessoa era uma jovem muito bonita, de rosto fino, pele clara (que acentuava suas bochechas rosadas), olhos negros e misteriosos. Ela era muito insegura e tímida, conversava de uma forma tão sucinta que aparentava ser uma pessoa áspera e fria, mas ela tinha um sorriso tão simpático que esse aspecto acabava sendo esquecido em questão de segundos. Usava um vestido preto e tinha uma tatuagem na nuca, um número "7", que ela nunca explicou o significado.

A terceira pessoa era um ex-universitário que teve problemas com drogas. Tem várias lembranças daquela época que ele gostaria de esquecer, por isso, dita o ritmo da conversa para não cair nesse assunto desagradável. Ele sempre faz piada de tudo, para esconder a depressão profunda que está passando, após ter sofrido um colapso nervoso. No momento toma Prozac em segredo. Tem cabelos longos, como um roqueiro dos anos 70. Está usando calças jeans rasgadas e uma jaqueta de couro, que escondia uma camiseta do Led Zeppelin, sua banda favorita. Havia parado de fumar recentemente, mas não aguentou e voltou pouco tempo depois, mas tenta moderar nesse aspecto.

Papo vai, papo vem. As três pessoas escondiam suas verdadeiras essências com risadas e descontração. Nenhuma delas está a vontade, mas todas tentam manter uma boa impressão e continuam interagindo entre si. A primeira pessoa tem interesse na segunda pessoa, mas ele se achava tão feio perto da terceira que se sentia embaraçado, não falava quase nada interessante. A segunda estava mais interessada no álcool do que na conversa, apenas acenava com a cabeça e fingia estar dando atenção aos dois rapazes. A terceira pessoa só queria se sentir melhor e esfriar um pouco a cabeça, por isso falava sem parar e fazia várias piadas, mas não estava adquirindo a satisfação que esperava.

A segunda pessoa começa a demonstrar interesse na terceira pessoa, devido ao papo descontraído, os efeitos do álcool, a carência. A terceira pessoa percebe isso e decide levar a segunda pessoa para sair. A primeira pessoa sai do bar decepcionada consigo mesmo por não ter auto-estima suficiente para uma investida. Após pouco tempo juntos, a terceira pessoa abandona a segunda e vai embora da cidade, sem nem se despedir. No fim das contas, a segunda pessoa poderia ter sido feliz com a primeira pessoa, se tivesse consciência dos seus sentimentos e consideração por eles, mas acabou infeliz e sozinha, como a primeira pessoa. Os três nunca mais se viram. Foi uma noite atípica.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Caminhos

http://olhovirtual.wordpress.com/2010/06/10/caminhos/

Caminhos

Caminhos da fé
Caminhos modificados
Caminhos que nos dão tortura
Caminhos que observo
Caminhos arquitetados
Caminhos sublimes, mágicos
Caminhos que alertam
Caminhos que desafiam
Caminhos das águas
Caminhos necessários
Caminhos conquistados, cuidados, planejados, admirados
Caminhos coloridos
Caminhos para conhecer
Caminhadas ousadas
Caminhos incomuns
Caminhos com aplausos
Caminhos livres, leves e soltos
A felicidade ao encontrar seu caminho
Caminhadas alucinantes
Qual será o caminho?

Trabalho de Jornalismo em Web
Texto por Ana Luiza

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Poema sem fins lucrativos

Os ferimentos que marcam nossas vidas e não cicatrizam são os que mais doem
Mas se eles cicatrizassem eu me sentiria morto por dentro
O coração é despedaçado numa situação tão cotidiana que ninguém repara
E a verdade é que ninguém quer notar justamente por não querer se comprometer

O vento leva a dor pra longe, mas ela volta num instante, não foge
A chuva dá a impressão de que nosso medo é passageiro
Mas ele permanece intenso de tal forma que o coração gela e, mesmo assim, dispara
E como a felicidade estaria presente se eu pudesse deixar de perceber

Ela sai das sombras, nem dá pra sentir o calor pelo pouco tempo que ela esteve aqui
Sofro como alguém que tenta, isso me faz fraco e fere o meu ego
O mundo desaba quando ela vai embora, mas ele não me acolhe de qualquer jeito
Te dou um abraço curto, porém afável, mas você nem sequer sente nada

Algo inalcansável me tornou o que sou hoje, num túnel sem luz no fim
Pele branca como a neve e cabelos negros como a noite fria de inverno
Gostaria de descobrir como eu sinto falta de algo que não tenho
Continuo esperando por uma chance de demonstrar que não sou só uma sombra

A dor é constante e vicía como uma droga, não tem como desistir dela de repente
A vida não tem sentido, mas sinto que é pela sua presença que eu ainda vivo
Eu consigo ver que a única sensação real é a dor de não poder
Mesmo assim ainda respiro e sangro um triste suspiro

Ela tem uma beleza tão intensa que chega a ser quase perfeita, isso me prende
Tento descobrir o que me tornei, desesperadamente, sem sucesso
Como um sol ofuscante ela me intimida, me esfola vivo e me joga fora sem querer
Continuo me afundando na minha perda, sei que esse é o meu destino

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Crônica do desnorteamento

Acordo sabendo que hoje será um dia igual à todos os outros... olho para um lado, olho pro outro e penso no que posso fazer para mudar, sem respostas. Todos os dias a mesmice de sempre, café, escovo os dentes, almoço, janto, tomo um banho, estudo, escovo os dentes, vou dormir. Sem ninguém com quem contar ou para me ajudar a tomar uma nova direção. Olho para um lado, olho para o outro e penso no porquê disso tudo ser sempre tão igual. Penso em dar uma volta e ver se alguma coisa poderia mudar, sem respostas novamente. A rua cheia de mendigos, pedintes e trabalhadores apressados. Cai uma chuva que me atiça ainda mais a minha reflexão momentânea, porém nada mudou. Chego em casa e olho para um lado, olho para outro e... nada. O novo já não faz parte do meu vocabulário, a rotina acaba enlouquecendo as pessoas e deixando elas normais. Nascemos, sabemos que vamos morrer, mas no meio termo tentamos lutar contra a mesmice. No momento eu perdi a batalha, mas não a guerra. Olho para um lado, olho para outro e penso em como mudar... Para mudar, primeiramente, preciso de outras pessoas para me ajudar, mas estou sózinho em minha casa. Arrumar o que fazer... Não é tão fácil quando não se tem perspectivas. Fico só com essa reflexão. Vou dormir como faço todos os dias, pensando que amanhã será diferente. Não é. Nunca é. A rotina deixa a gente desnorteado e sem ter soluções. Imagino o que será de mim no futuro. Estou desnorteado. Olho para um lado, olho para outro e acordo num amanhã. Quero uma amanhã-amanhã. Recebo um amanhã de ontem, anteontem...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Reflexões indecisas a partir de uma frase

Talvez eu nunca seja o que eu quis... Essa frase lida acidentalmente em algum lugar me fez pensar, será que vale a pena viver e não ser o que sempre quis e não me realizar completamente? Isso me fez pensar outra coisa, entre um gole e outro... O que eu quero ser? Como vou saber se consegui ou não me tornar ou realizar o que eu sempre quis?

Indagado, comecei a criar esses devaneios na minha cabeça e eles parecem se perder no infinito, é uma complexidade tão grande que, ao invés de te trazer conclusões, trazem mais e mais dúvidas.

As pessoas nunca possuem um único objetivo fixo na vida, o que torna tudo mais confuso e complicado. Quando você para pra pensar, você está num mar de dúvidas e sua vida acaba passando despercebida. Quantas oportunidades perdemos e nem damos conta?

Acho que a realização pessoal (um bom emprego, uma boa faculdade, uma namorada, vários amigos, várias realizações "pequenas", etc.) acabam sem receber o merecido valor. Quando esses aspectos recebem esse valor, acredito que a realização pessoal é alcançada. Para ser realizado, é preciso sentir e não almejar coisas inatingíveis e sem resposta.

As coisas seriam mais fáceis se pudessemos ter outras opções e vivessemos numa espécie de "conto de fadas", onde existem opções exatas e perfeitas (empregos não-existêntes, pessoas perfeitas, ninguém é melhor que ninguém, etc.)

Enquanto não consigo me realizar pessoalmente, devo continuar simplesmente vivendo. O Céu ou o Inferno podem esperar até lá.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A história representada por uma animação

Vi uma animação muito interessante no youtube, ela representa de forma simples a história da sociedade capitalista vigente nos dias de hoje. Os 8:33 nos fornecem um ótimo conhecimento, sem diálogos ou embromações, direto ao ponto. A genial representação do "bolo amarelo" como produto principal e as guerras são muito bem retratadas. Sem mais, confiram com os próprios olhos esse primor que é a animação "Yelloy Cake" de Nick Cross.